Chego em casa e abro a minha geladeira. Tomo um ovo... A casca era áspera e apresentava um tom esverdeado. Receioso de abrí-lo por causa de suas características externas, decido escolher outro mais liso e de uma cor mais agradável. Até na escolha do ovo que eu havia de comer, eu me deixei levar pela aparência.
O bonitinho estava podre por dentro. Uma podridão incerta e recente: Horrível! Ao quebrá-lo, o centro amarelo não se apresentava assim: Era preto tal qual angústia. O cheiro? Este não pretendo sentir nunca mais na vida. Nem mesmo ver aquela escuridão.
Por um instante, enquanto aquela figura disforme rebolava na frigideira, vi o meu mundo. Meu mundo de evitações, angústias e estômago.
Assim, a Fome me arrebatou, me fez sentir humano e, depois, ao saciá-la, foi fonte do meu prazer. Penso dessa forma pela razão da incansável busca do prazer.
Meu bom amigo, por favor me diga, o que te dá prazer? O que nos resta na vida além do prazer? Já que ela é só, e somente só, uma série de pensamentos sórdidos e preocupações insignificantes.
quinta-feira, 28 de junho de 2007
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